Conteúdo organizado por Tatiana dos Santos em 2018 do livro Learning Environments by Design, publicado em 2015 por Catherine Lombardozzi. Revisão 2020
Tendências Educacionais: Blended Learning, Flipped Classroom e Adaptive Learning
Neste último tema, vamos compreender algumas denominações e tendências educacionais utilizadas nas instituições de ensino, principalmente de ensino superior.
Até o momento, discutimos muito sobre os ambientes de e-learning e vamos finalizar nossas reflexões tratando de Blended Learning, um termo que foi inicialmente utilizado por Anderson (2000) em um documento da IDC: e-learning in Practice, Blended Solutions in Action.
Muito utilizado nos dias atuais, o b-learning “é um modelo que pretende valorizar o melhor do presencial e do on-line (Peres & Pimenta, 2011, p. 15). Ou seja, é uma metodologia que se apropria das possibilidades tecnológicas que o contexto atual disponibiliza e tenta aproveitar o que existe de melhor nas metodologias de ensino presencial e do ensino a distância.
Nesta perspectiva, Figueiredo e Afonso (2006) alertam sobre o desafio da criação de grupos com contextos de construção de aprendizagem individual e coletiva. Um contexto em que alunos e professores assumem diferentes papéis e se colocam na situação de partícipes na construção do saber.
“No ensino superior, a aceitação do modelo híbrido (b-learning) de educação como estratégia de aprendizagem válida e complementar, constitui já um importante passo perante o atual esforço em adequar o ensino às novas exigências do atual quadro econômico e da emergente necessidade de gestão do conhecimento” (Felipe & Orvalho, 2008, p. 216).
Diante das necessidades sociais, educacionais e de mercado, várias instituições têm migrado seus sistemas de ensino para o modelo híbrido.
Moore e Kearsley (2013, pg. 128) atentam que:
o modelo híbrido é bastante popular na educação superior e no domínio da formação, já que permite que os instrutores deem continuidade à prática da instrução em sala de aula com a qual estão familiarizados e sentem-se confortáveis acrescentando o quanto de tecnologia desejarem. As tecnologias permitem a documentação e catalogação das lições; a criação de componentes intercambiáveis de instrução e asseguram que diferentes provedores de cursos possam trocar dados, como os relativos ao registro e ao desempenho dos alunos.

Fonte: a autora
Dentro desse conceito de b-learning, o professor também passa a desempenhar papéis diferentes daqueles estabelecidos por meio de metodologias tradicionais de ensino.
Gomes (2014, p. 23) sugere que o papel do professor “é muito mais ser um designer do aprendizado de cada aluno e avaliar para ver se estão dominando o assunto. Eles são assessores do conhecimento, treinadores, designers do aprendizado”.
Com base nesta nova metodologia, as instituições estão adotando a estratégia de flipped classroom para os processos de ensino e aprendizagem.
Flipped classroom, também conhecido como sala de aula invertida, é uma estratégia de b-learning que mescla o modelo presencial e virtual. Assim, oferece ao aluno a possibilidade de acesso ao conteúdo da aula antes mesmo que ela aconteça. Os primeiros estudos sobre o assunto foram realizados por Eric Mazur, na Universidade de Harvard, nos anos 1990. Ele afirmou, à época, que “[...] o computador em breve será parte integral da educação” (Mazur, 1991).
Flipped classroom (FC) ou sala de aula invertida é um modelo que tem suas raízes no ensino híbrido. O ensino híbrido (misturado, combinado, mesclado), conhecido como Blended Learning ou b-learning, teve seu conceito desenvolvido a partir de experiências e-learning (Tarnopolsky, 2012, p. 14).
A sala de aula invertida emerge como técnica usada por professores tradicionais para melhorar o engajamento dos estudantes (Christensen; Horn; Staker, 2013, p. 33).
A sala de aula invertida prevê o acesso ao conteúdo antes da aula pelos alunos e o uso dos primeiros minutos em sala para esclarecimento de dúvidas, de modo a sanar equívocos antes dos conceitos serem aplicados nas atividades práticas mais extensas no tempo de classe (Bergmann; Sams, 2016).
Figura 20.1 – Esquema de sala de aula invertida

Fonte: adaptada de Teixeira (2013).
O conceito básico de inversão da sala de aula é fazer em casa o que era feito em aula; por exemplo, assistir palestras; e, em aula, o trabalho que era feito em casa, ou seja, resolver problemas (Bergmann & Sams, 2012). Em síntese, significa transferir eventos que tradicionalmente eram feitos em aula para fora da sala de aula, segundo Lage, Platt e Treglia (2000). Trata-se de uma abordagem pela qual o aluno assume a responsabilidade pelo estudo teórico e a aula presencial serve como aplicação prática dos conceitos estudados.
Na sala de aula invertida, o uso de ferramentas tecnológicas e o ensino assíncrono permitem o olhar pedagógico para o aluno, ou seja, o modo como aprende e se apropria dos conceitos. Ao professor e designers cabe a tarefa de desenvolver ambientes estimulantes para que os alunos acessem e busquem a informação que, posteriormente, será debatida em sala de aula.
A definição mais ampla para flipped classroom, ou sala de aula invertida, é aquela que enfatiza o uso das tecnologias para o aprimoramento do aprendizado, de modo que o professor possa utilizar melhor o seu tempo em sala de aula em atividades interativas com seus alunos ao invés de gastá-lo, apenas apresentando conteúdo em aulas expositivas tradicionais (Barseghian, 2011)
É um modelo em que os professores e designers instrucionais podem propiciar o acesso aos conteúdos por meio de diferentes ferramentas, como vídeos disponibilizados, materiais de pesquisa e leitura complementar, assim como discutimos nas estratégias de desenvolvimento de ambientes de e-learning.
Diante desse contexto, os alunos têm a oportunidade de solucionar suas dúvidas no momento em que elas ocorrem, com a ajuda de seus pares e do professor, o que promove um ambiente colaborativo de aprendizagem (Techsmith, 2013).
Mas, para Bergmann, Overmyer e Wilie (2012), a flipped classroom vai além da gravação de vídeos das aulas dos professores. Os autores defendem que, ao contrário do que se pode imaginar, esse modelo pode:
Os autores também defendem que não se trata da substituição do professor por um vídeo e do isolamento de alunos. Esta é só uma parte do processo.
Na sala de aula invertida, é possível pensar e valorizar os diferentes estilos de aprendizagem, aproveitando as tecnologias para apresentar os conteúdos de formas diferenciadas, contribuindo com a aprendizagem ativa por meio do uso de texto, imagem e som.
Figura 20.2 – Aprendizagem Ativa

Fonte: adaptada de Teixeira (2013).
A sala de aula invertida colabora com os professores possibilitando a personalização do processo de ensino e aprendizagem para cada aluno, além de possibilitar, por meio das tecnologias, o ensino adaptativo (adaptive learning), que permite ao aluno avançar nos estudos considerando seus gaps e seu ritmo de aprendizagem.
Há, neste caso, variadas possibilidades de gerenciamento de tempo, espaço e aprendizagem. Trata-se de uma metodologia que considera os avanços tecnológicos como ferramentas pedagógicas que não substituem o professor, mas ampliam a visão sobre os diferentes papéis diante dos processos de ensinar e aprender.
Leia o artigo seguinte para aprofundamento do tema:
Colenci Trevelin, A. T., Alves Pereira, M. A., & de Oliveira Neto, J. D. (2013). A utilização da “Sala De Aula Invertida” Em Cursos Superiores De Tecnologia: Comparação Entre O Modelo Tradicional E O Modelo Invertido “Flipped Classroom” Adaptado Aos Estilos De Aprendizagem. Revista De Estilos De Aprendizaje, 6(12). Disponível em https://bit.ly/1700
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
Anderson, C. (2000). E-Learning in practice: blended solutions in action. IDC white paper.
Barseghian, T. (2011). Three trends that define the future of teaching and learning. Mind/Shift, 2011. Disponível em: <https://bit.ly/3o80Qgc>
Bergmann, J. & Sams, A. (2012). Flip your classroom: reach every student in every class every day. USA: ISTE.
______. (2016). Sala de aula invertida: uma metodologia ativa de aprendizagem. Trad. Afonso Celso da Cunha Serra. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC.
Chistensen, C. M.; Horn, M. B. & Staker, H. (2013). Ensino híbrido: uma inovação disruptiva? Uma introdução à teoria dos híbridos. São Paulo: Clayton Christensen Institute.
Figueiredo, A. D. & Afonso, A. P. (2006). Context and learning: a philosophical framework. In: Figueiredo, A. D.; Afonso, A. P. (eds.). Managing Learning in Virtual Settings: The Role of Context. Hershey: Idea Group Publishing, PLC.
Filipe, A. J. M.; Orvalho, J. G. (2008). Blended learning e aprendizagem colaborativa no ensino superior. Anais: VII Congresso Iberoamericano de Informática Educativa.
Gomes, P. (2017). Ensino híbrido é o único jeito de transformar a educação. Porvir, 2014. Disponível em: <https://bit.ly/344deqC>
Lage, M. J.; Platt, G. J. & Treglia, M. (2000). Inverting the classroom: a gateway to creating an inclusive learning environmente. Journal of Economic Education, Bloomington, IN, v. 31, n. 1, p. 30-43.
Lombardozzi, C. (2015). Learning environments by design. Alexandria: Association for Talent Development.
Mazur, E. (1991). Can We Teach Computers to Teach? Computers in Physics, jan./feb. 1991.
Moore, M. & Kearsley, G. (2013). Educação a distância. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning.
Teixeira, G. P. (2013). Flipped classroom: um contributo para a aprendizagem da lírica camoniana. Dissertação (Mestrado em Gestão de Sistemas de E-Learning). Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova Lisboa.
Peres, P. & Pimenta, P. (2011). Teorias e práticas de b-learning. Lisboa: Edições Sílabo Ltda.
Tarnopolsky, O. (2012). Constructivist blended learning approach to teaching english for specific purposes. Berlin: De Gruyter Open.
Techsmith. Teachers Use Technology to Flip Their Classrooms. (2017).
LEARNING THEORIES AND THE DESIGN OF E-LEARNING ENVIRONMENTS - EDU620-4.5
Tendências Educacionais: Blended Learning, Flipped
Classroom e Adaptive Learning
Imagens: shutterstock

Livro de referência:
Learning Environments by Design
Catherine Lombardozzi
Alexandria: Association for Talent Development, 2015
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E-BOOK PRODUZIDO POR GABRIEL ARAUJO - SANTA CREATIVE HOUSE